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Por que funciona

Cada regra do app tem um nome e uma página do lado.

O aviso das três tarefas A, o ciclo de sete dias, a ordem do registro de pensamento: nada disso foi escolhido no olho. Esta página mostra de onde veio cada uma — e diz, sem rodeio, onde a escolha foi nossa e não da literatura.

A regra da casa

Nenhuma frase clínica sem uma referência ao lado.

É um app de organização feito em cima de terapia cognitivo-comportamental para TDAH adulto, não um app de produtividade com vocabulário clínico por cima. A diferença aparece quando a fonte é obrigatória.

O que a gente se obriga a fazer

Toda afirmação clínica — dentro do app e aqui no site — carrega a referência que a sustenta. A lista abaixo é a lista inteira: cinco referências que estruturam o produto, mais duas que o app cita na tela de emoções.

E o que a gente se obriga a admitir

Onde o número é escolha de produto, escrevemos que é escolha de produto. O limiar de 80% de adesão, a sequência exata da escada e o retrato de cinco áreas do começo entram nessa conta — e o app afirma isso na própria tela, não só aqui.

A espinha dorsal

Um livro sustenta metade do aplicativo.

O programa de Safren e colegas é um protocolo de doze sessões para TDAH adulto. Seis dessas sessões viraram tela no Broto — e a numeração abaixo é a do próprio livro.

A espinha dorsal

Safren, Perlman, Sprich & Otto (2008)

Dominando o TDAH adulto: programa de tratamento cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed.

Sessão 1A folha “Não é falta de esforço”
Sessão 3As prioridades A, B e C
Sessão 4Fatiar tarefas em subtarefas
Sessão 5A caixa de entrada (despejo)
Sessão 6O Modo Foco
Sessão 8O registro de pensamento
Referência por referência

De cada fonte, o que exatamente saiu dela.

À esquerda a fonte. À direita a linha do app que ela sustenta — com o número, quando existe número.

A espinha dorsal Safren, Perlman, Sprich & Otto (2008) Dominando o TDAH adulto: programa de tratamento cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed.

Sessão 1. A nota “Não é falta de esforço”, que aparece quando uma tarefa trava: escorregar várias vezes não é falha de caráter nem preguiça.

Sessão 3. As prioridades A, B e C, e o aviso quando passam de três tarefas A abertas no mesmo dia — o app propõe rebaixar uma, e não bloqueia nada.

Sessão 4. Os PASSOS — fatiar uma tarefa grande em subtarefas dentro dela mesma, sem criar tarefa nova.

Sessão 5. A caixa de entrada. Toda tarefa sem data cai ali em vez de virar item atrasado no dia de hoje.

Sessão 6. O Modo Foco. Inclusive a parte incômoda: quando você sai por mais de vinte segundos, o app registra a fuga, pede a distração em uma linha e devolve o cronômetro.

Sessão 8. O registro de pensamento — situação, pensamento, emoção, comportamento.

O dimensionamento Fogg (2019) Tiny Habits: The Small Changes That Change Everything. Boston: Houghton Mifflin Harcourt.

Três focos, não dez. Quando a motivação oscila, a alavanca que sobra é reduzir o comportamento até ele caber no pior dia — por isso o ciclo começa com três focos e só libera cinco a partir de quatorze dias.

Sete dias primeiro. O primeiro ciclo é o mais curto da escada inteira. A ideia é que a primeira vitória chegue antes de a novidade passar.

Uma marca por dia. O foco é marcável uma vez, e só. Não existe recuperar o dia anterior — o comportamento tem que caber no dia em que ele acontece.

A meta e a escada Locke & Latham (2002) Building a practically useful theory of goal setting and task motivation. American Psychologist, 57(9), 705–717.

A escada de 7 a 180 dias. Metas específicas e progressivamente mais difíceis batem metas fáceis ou genéricas. Cada ciclo fechado sobe um degrau; cada ciclo perdido desce.

A porcentagem na tela. Meta sem retorno não funciona. O app mostra a adesão do ciclo todo dia, não só no fim.

A consequência visível Skinner (1953) Science and Human Behavior. New York: Macmillan.

A planta em dez estágios. Comportamento é selecionado pelas consequências. O Broto crescendo é a consequência em forma de figura — imediata, antes de qualquer texto.

Murchar e voltar. A planta murcha quando o registro para, e volta com uma única marca. Punição prolongada não ensina nada; o caminho de volta precisa ser curto.

O XP. Dez pontos por foco marcado, quinze pelo check-in do dia, cem pelo ciclo fechado. Números pequenos e frequentes valem mais que um prêmio distante.

O registro de pensamento Beck, Rush, Shaw & Emery (1979) Cognitive Therapy of Depression. New York: Guilford Press.

A sequência. Situação → pensamento → emoção → comportamento, na ordem, um bloco de cada vez.

A intensidade. Cada emoção vai de 0 a 10. Quantificar é o que transforma “foi um dia ruim” em algo comparável no mês seguinte.

A pergunta extra. O app acrescenta uma pergunta que não está no registro clássico: como você gostaria de ter reagido. E oferece transformar a resposta em uma tarefa A pro dia seguinte.

Duas fontes a mais, dentro do app

A tela de emoções cita outras duas — então elas estão aqui também.

As vinte e uma emoções do registro de pensamento estão divididas em três grupos, e essa divisão não sai das cinco referências acima. Como o app credita as fontes na própria tela, a lista desta página inclui as duas.

Os grupos de emoção Ekman (1992) An argument for basic emotions. Cognition and Emotion, 6(3–4), 169–200.

As emoções básicas. Raiva, medo, tristeza, alegria, nojo e surpresa formam o primeiro grupo da lista — as que quase todo mundo nomeia sem pensar.

Os grupos de emoção Greenberg (2015) Emotion-Focused Therapy: Coaching Clients to Work Through Their Feelings (2ª ed.). Washington: APA.

As emoções secundárias e as sociais. Culpa, vergonha, frustração e companhia ficam nos outros dois grupos — são as que costumam aparecer por cima de uma emoção anterior, e o registro de pensamento deixa marcar mais de uma.

Os limites

O que a lista não cobre — e a gente diz isso.

Um site de saúde que só mostra o que a evidência apoia está escondendo o resto. Estes são os pontos em que a escolha é nossa.

Os números de produto

O limiar de 80% de adesão pra fechar um ciclo e a sequência exata da escada (7 → 14 → 21 → 30 → 45 → 60 → 90 → 120 → 150 → 180) são parâmetros que a gente escolheu. Locke & Latham sustentam a ideia de meta específica e crescente; não sustentam esses valores. Os dez estágios da planta e a tabela de XP estão na mesma situação.

O retrato do começo

As cinco áreas do retrato — Fitness, Sono, Vícios, Finanças e Performance — e as três frases de cada uma não formam um instrumento validado, e o app afirma isso na própria tela. O retrato serve pra sugerir por onde começar e pra você comparar com você mesmo; a pontuação dele não vale como medida de nada.

O ponto final

Retrato não é diagnóstico. Em nenhuma tela.

E isso não é cautela jurídica — é a diferença entre um retrato de hoje e uma avaliação clínica.

O que o retrato é

Quinze respostas suas sobre cinco áreas da vida, hoje — comparáveis com as suas próprias respostas daqui a um mês. Serve pra escolher por onde começar e pra levar a alguém, se você quiser.

O que ele não é

Não é teste, não é diagnóstico, não é laudo e não indica tratamento. Quem diagnostica é um profissional de saúde, olhando história de vida, prejuízo funcional e diagnóstico diferencial — coisas que nenhum questionário respondido sozinho no celular alcança.

O que o app faz com isso

Guarda os retratos, deixa refazer depois de um mês e põe o retrato das cinco áreas no resumo pra consulta, que você exporta e leva. O objetivo declarado é encurtar a conversa com o profissional, não substituí-la.

Nada aqui promete cura. Promete método.

Um mês grátis, sem cartão. Depois são R$ 29,90 por mês ou R$ 199,90 por ano — e se você não assinar, o app entra em modo memória: para de escrever, mas continua deixando você ler tudo o que já registrou.

O Broto não substitui diagnóstico nem tratamento. O retrato do começo não é teste nem diagnóstico.