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Por que funciona

Cada regra do app tem um nome e uma página do lado.

O aviso das três tarefas A, o ciclo de sete dias, a ordem do registro PEC, os dezoito itens do rastreio: nada disso foi escolhido no olho. Esta página mostra de onde veio cada uma — e diz, sem rodeio, onde a escolha foi nossa e não da literatura.

A regra da casa

Nenhuma frase clínica sem uma referência ao lado.

É um app de organização feito em cima de terapia cognitivo-comportamental para TDAH adulto, não um app de produtividade com vocabulário clínico por cima. A diferença aparece quando a fonte é obrigatória.

O que a gente se obriga a fazer

Toda afirmação clínica — dentro do app e aqui no site — carrega a referência que a sustenta. A lista abaixo é a lista inteira: sete referências que estruturam o produto, mais duas que o app cita na tela de emoções.

E o que a gente se obriga a admitir

Onde o número é escolha de produto, escrevemos que é escolha de produto. O limiar de 80% de adesão, a sequência exata da escada e as três perguntas do onboarding entram nessa conta — e o app afirma isso na própria tela, não só aqui.

A espinha dorsal

Um livro sustenta metade do aplicativo.

O programa de Safren e colegas é um protocolo de doze sessões para TDAH adulto. Seis dessas sessões viraram tela no Broto — e a numeração abaixo é a do próprio livro.

A espinha dorsal

Safren, Perlman, Sprich & Otto (2008)

Dominando o TDAH adulto: programa de tratamento cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed.

Sessão 1A folha “Não é falta de esforço”
Sessão 3As prioridades A, B e C
Sessão 4Fatiar tarefas em subtarefas
Sessão 5A caixa de entrada (despejo)
Sessão 6O Modo Foco
Sessão 8O registro PEC
Referência por referência

De cada fonte, o que exatamente saiu dela.

À esquerda a fonte. À direita a linha do app que ela sustenta — com o número, quando existe número.

A espinha dorsal Safren, Perlman, Sprich & Otto (2008) Dominando o TDAH adulto: programa de tratamento cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed.

Sessão 1. O texto de abertura do app, que diz que TDAH não é falta de esforço — é a única página do onboarding sem nenhum campo pra preencher.

Sessão 3. As prioridades A, B e C, e o aviso quando passam de três tarefas A abertas no mesmo dia — o app propõe rebaixar uma, e não bloqueia nada.

Sessão 4. Os PASSOS — fatiar uma tarefa grande em subtarefas dentro dela mesma, sem criar tarefa nova.

Sessão 5. A caixa de entrada. Toda tarefa sem data cai ali em vez de virar item atrasado no dia de hoje.

Sessão 6. O Modo Foco. Inclusive a parte incômoda: quando você sai por mais de vinte segundos, o app registra a fuga, pede a distração em uma linha e devolve o cronômetro.

Sessão 8. O registro PEC — situação, pensamento, emoção, comportamento.

O rastreio Kessler et al. (2005) The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS). Psychological Medicine, 35(2), 245–256.

Os 18 itens. O app aplica a escala inteira, não uma versão curta inventada por nós.

A Parte A. Seis itens funcionam como triagem rápida; quatro respostas na faixa alta acendem o sinal — é o corte do próprio instrumento.

A pontuação. 0 a 72 no total e 0 a 36 em cada dimensão, desatenção e hiperatividade separadas, como a escala prevê.

O português da escala Mattos et al. (2006) Adaptação transcultural para o português da escala ASRS-18 para avaliação do TDAH em adultos. Rev. Psiquiatr. Clín., 33(4), 188–194.

O texto dos itens. As frases em português vêm da adaptação brasileira validada. A gente não traduziu a escala por conta própria — traduzir um instrumento é refazê-lo.

O dimensionamento Fogg (2019) Tiny Habits: The Small Changes That Change Everything. Boston: Houghton Mifflin Harcourt.

Três focos, não dez. Quando a motivação oscila, a alavanca que sobra é reduzir o comportamento até ele caber no pior dia — por isso o ciclo começa com três focos e só libera cinco a partir de quatorze dias.

Sete dias primeiro. O primeiro ciclo é o mais curto da escada inteira. A ideia é que a primeira vitória chegue antes de a novidade passar.

Uma marca por dia. O foco é marcável uma vez, e só. Não existe recuperar o dia anterior — o comportamento tem que caber no dia em que ele acontece.

A meta e a escada Locke & Latham (2002) Building a practically useful theory of goal setting and task motivation. American Psychologist, 57(9), 705–717.

As três perguntas do começo. Objetivo com pelo menos quinze palavras, porquê com dez, custo de não mudar com doze. O mínimo existe pra impedir “quero melhorar” — meta vaga não move nada.

A escada de 7 a 180 dias. Metas específicas e progressivamente mais difíceis batem metas fáceis ou genéricas. Cada ciclo fechado sobe um degrau; cada ciclo perdido desce.

A porcentagem na tela. Meta sem retorno não funciona. O app mostra a adesão do ciclo todo dia, não só no fim.

A consequência visível Skinner (1953) Science and Human Behavior. New York: Macmillan.

A planta em dez estágios. Comportamento é selecionado pelas consequências. O Broto crescendo é a consequência em forma de figura — imediata, antes de qualquer texto.

Murchar e voltar. A planta murcha quando o registro para, e volta com uma única marca. Punição prolongada não ensina nada; o caminho de volta precisa ser curto.

O XP. Dez pontos por foco marcado, quinze pelo check-in do dia, cem pelo ciclo fechado. Números pequenos e frequentes valem mais que um prêmio distante.

O registro PEC Beck, Rush, Shaw & Emery (1979) Cognitive Therapy of Depression. New York: Guilford Press.

A sequência. Situação → pensamento → emoção → comportamento, na ordem, um bloco de cada vez.

A intensidade. Cada emoção vai de 0 a 10. Quantificar é o que transforma “foi um dia ruim” em algo comparável no mês seguinte.

A pergunta extra. O app acrescenta uma pergunta que não está no registro clássico: como você gostaria de ter reagido. E oferece transformar a resposta em uma tarefa A pro dia seguinte.

Duas fontes a mais, dentro do app

A tela de emoções cita outras duas — então elas estão aqui também.

As vinte e uma emoções do registro PEC estão divididas em três grupos, e essa divisão não sai das sete referências acima. Como o app credita as fontes na própria tela, a lista desta página inclui as duas.

Os grupos de emoção Ekman (1992) An argument for basic emotions. Cognition and Emotion, 6(3–4), 169–200.

As emoções básicas. Raiva, medo, tristeza, alegria, nojo e surpresa formam o primeiro grupo da lista — as que quase todo mundo nomeia sem pensar.

Os grupos de emoção Greenberg (2015) Emotion-Focused Therapy: Coaching Clients to Work Through Their Feelings (2ª ed.). Washington: APA.

As emoções secundárias e as sociais. Culpa, vergonha, frustração e companhia ficam nos outros dois grupos — são as que costumam aparecer por cima de uma emoção anterior, e o registro PEC deixa marcar mais de uma.

Os limites

O que a lista não cobre — e a gente diz isso.

Um site de saúde que só mostra o que a evidência apoia está escondendo o resto. Estes são os pontos em que a escolha é nossa.

Os números de produto

O limiar de 80% de adesão pra fechar um ciclo e a sequência exata da escada (7 → 14 → 21 → 30 → 45 → 60 → 90 → 120 → 150 → 180) são parâmetros que a gente escolheu. Locke & Latham sustentam a ideia de meta específica e crescente; não sustentam esses valores. Os dez estágios da planta e a tabela de XP estão na mesma situação.

As três perguntas do começo

Objetivo, porquê e custo de não mudar não formam um instrumento validado. São perguntas de compromisso, no espírito de Locke & Latham, e o app escreve exatamente isso na tela em que você as responde. A pontuação delas não vale como medida de nada.

As faixas do rastreio

A ASRS tem pontuação validada, mas os rótulos Baixa, Moderada e Alta com corte em 11 e 23 são terços da escala definidos por este app — não pontos de corte diagnósticos da literatura. O corte que vem do instrumento é outro: quatro dos seis itens da Parte A.

O ponto final

Rastreio não é diagnóstico. Em nenhuma tela.

É a frase que mais se repete dentro do Broto, e ela não é jurídica — é a diferença entre uma escala de triagem e uma avaliação clínica.

O que o resultado do ASRS é

Um número que você produziu respondendo dezoito perguntas sobre os últimos seis meses, comparável com o seu próprio número do mês passado. Serve pra ver a linha e pra levar a alguém.

O que ele não é

Não é diagnóstico, não é laudo e não indica medicação. Quem diagnostica TDAH é um profissional de saúde, olhando história de vida, prejuízo funcional e diagnóstico diferencial — coisas que nenhum questionário respondido sozinho no celular alcança.

O que o app faz com isso

Guarda a série, repete o rastreio a cada mês e monta um resumo em português que você exporta e leva pra consulta. O objetivo declarado é encurtar a conversa com o profissional, não substituí-la.

Nada aqui promete cura. Promete método.

Um mês grátis, sem cartão. Depois são R$ 29,90 por mês ou R$ 199,90 por ano — e se você não assinar, o app entra em modo memória: para de escrever, mas continua deixando você ler tudo o que já registrou.

O Broto não substitui diagnóstico nem tratamento. O rastreio dentro do app é uma escala de triagem — quem diagnostica é um profissional de saúde.